"Nem Sempre o que Pensamos é o que Vivemos... E na Maioria das Vezes o que Vivemos é o que Jamais Pensamos..."
Fulvio Ribeiro

Talvez um Sonho...

Author: Fulvio Ribeiro /




Lara uma jovem como qualquer outra de sua geração, cheia de sonhos, ambições e uma grande expectativa sobre seu futuro. Acordou hoje, e novamente se deparou com uma manhã nublada, escura como de costume naquela cidade onde vivia até então.
Mas o que despertou a jovem naquela manhã monótona, não foi o barulho dos carros nem o ladrar dos cães, mas sim o telefone que tocava insistentemente, e a incomodava. Levantou-se vestiu um roupão que desde sua adolescência lhe acompanhava, e partiu em direção a sala, para atender o tal telefone. Disse ela: - Alô! Com a voz meio roca, pois tinha acabado de se levantar. Do lado de lá da linha era Julia, uma de suas irmãs mais velhas, e na família a mais voltada para religião. O motivo do telefonema foi um convite que Julia decidiu fazer para sua irmã caçula, convidou-a para passar aquele final de semana na sua nova casa em uma cidade um pouco mais afastada para onde se mudara a alguns meses.
Lara não ficou empolgada com o convite da irmã, mas decidiu aceitar, afinal já fazia algum tempo que não se encontrava com Julia, e ouvira dizer que a tal cidade era muito bonita. Pediu a opinião da mãe, que logo lhe aconselhou a respirar novos ares e conhecer pessoas novas.
Arrumou então sua mala com apenas algumas peças de roupa, tomou um rápido café, despediu-se de seus pais entrou no taxi e foi em direção a rodoviária. Chegando La o ônibus já a aguardava. Quando embarcou, ela percebeu que o bonito ônibus estava com quase todos os acentos ocupados, só restando o dela, meio ao fundo ao lado de um rapaz. Dirigiu-se ao acento e a viagem teve inicio, e não demorou muito para o rapaz que por acaso tinha a mesma idade que Lara, (21 anos) puxar assunto, com a bela jovem que seguia viagem ao seu lado. Ele reclamava da monotonia, individualidade, falta de esperança e escuridão que assolava a cidade, que ambos habitavam.
Lara muito comunicativa não perdeu tempo e expôs logo seu ponto de vista critico com relação às pessoas de sua cidade, dizia ela: - aqui cada vez mais as pessoas pensam em satisfazer seus próprios desejos. Apesar de Lara ser exatamente igual a todas as outras pessoas daquele lugar, ela demonstrava tal insatisfação. Conversaram os dois jovens durante horas, até que o rapaz pegou no sono. Lara começou pela primeira Vez a pesar se realmente valeria a pena ser tão ambiciosa como seus professores sempre há incentivaram, por um momento viu seus projetos, até mesmo seus grandes sonhos, se tornarem menores que uma carteira, a qual carregava no bolso de sua jaqueta, com uma certa quantia em dinheiro, que seus pais tinham lhe dado para gastar durante aquele final de semana na casa de sua irmã.
Seus pensamentos foram interrompidos, pois o motorista parou o ônibus em certo ponto da viagem, para que os passageiros pudessem esticar as pernas, usar o banheiro e comer alguma coisa. Lara decidiu descer um pouco, entrou na lanchonete, comprou uma cerveja, e saiu para fumar um cigarro,sentou-se ao lado de um jardim que avia naquela parada, de frente com a estrada.E enquanto fumava e tomava sua cerveja, algo do outro lado daquela estrada começou a chamar-lhe a atenção,a principio não sabia ela se era uma pessoa ou um animal, que se movia em meio a mata e as pequenas arvores,mas uma sensação diferente lhe atraia, decidiu então saber o que era aquilo que despertava sua curiosidade, ali do outro lado.
Cruzou a estrada então e percebeu que não tinha ali pessoa alguma, muito menos um animal, ao se aproximar começou a ouvir uma voz forte vibrante, Lara notou que o que movia as folhas, daquelas pequenas arvore e balançava a vegetação, dando a impressão de ter alguém entre a mata, era o som daquela Voz forte, por mais que o som fosse alto, forte, Lara não conseguia discernir o que dizia aquela Voz, e isso a intrigava muito e fazia com que ela se chegasse cada vez mais perto. Até que aquele monte de sons desconhecidos começou a se harmonizar nos ouvidos da jovem, e formaram a seguinte frase.
Eu sempre acreditei que você viria...!
Essa frase soou estranha aos ouvidos de Lara, mas ao mesmo tempo, veio uma tranqüilidade enorme ao seu coração, movida por algo que suas forças não conseguiram controlar, decidiu adentrar aquela mata ver quem lhe falava com aquela voz tão forte aos ouvidos e ao mesmo tempo tão suave ao coração. (algo muito estranho e confuso para ela)
Ao entrar ela percebeu que não existia uma mata, mas sim um lugar claro, bonito diferente de tudo aquilo que ela conhecia. Olhou para cima e não acreditou, pois pela primeira vez pode ver o Sol e não a neblina, a qual estava acostumada, o semblante da jovem Lara mudou, a alegria tomou conta da bela face daquela garota, que acabara de descobrir, que em algum lugar o sol ainda brilhava.
Nesse momento seu coração se encheu de esperança, seus olhos de lagrimas, então ela percebeu alguém ao seu lado, olhou, mas seus olhos ofuscados pela luz, que brotava de sua companhia, não conseguiram identificar os traços daquela pessoa, mas de alguma forma sabia, que o que lhe fazia enxergar as coisas que ali tinham uma impressão tão mais real, do que qualquer outra coisa que ela já vira, estava relacionado, ao amor que fluía junta com aquela luz tão ofuscante que seus olhos não podiam suportar. Então Lara voltou seus olhos para aquele lugar, seu corpo ali parecia tão mais forte, os pássaros ali, tão mais vivos, as arvores pareciam felizes, e os sentimentos tão puros. Olhou para si mesma, e pela primeira vez o seu coração estava livre do ódio, do individualismo, da inveja, que foram sufocados, tamanho era o Amor que se concentrava naquele lugar.
Lara se lembrou de seu companheiro de viagem, virou-se e saiu correndo desesperada, atravessou as pequenas arvores,a vegetação que outrora balançaram chamando a sua atenção,com um enorme anseio de levar aquele rapaz até o lugar que tinha descoberto e mostrar-lhe a esperança que acabara de conhecer.Quando escutou uma freada, e um sonido altíssimo de uma buzina,parou e se deu conta que estava no meio da rodovia, um caminhão estava a centímetros de seu corpo,não teve tempo para pensar em nada apenas sentiu um forte impacto no seu abdômen; Mas não era o caminhão chocando-se contra o seu corpo,mas sim sua cachorrinha que batia as patas em sua barriga as 7:30hr da manhã.
Lara abriu os olhos sem entender muita coisa, esqueceu-se do roupão pela primeira vez em seis anos, e colocou-se de joelhos ao lado da cama,tentou fazer uma oração qualquer mas a única coisa que conseguia era chorar. Lembrando daquele lugar, por saber que de alguma forma sua vida daquele momento em diante seria diferente. E quando ela ainda estava ali ao lado de sua cama ainda chorando o telefone começou a tocar, mas Lara não se importou, continuou ali sem se incomodar com o barulho.
Após mais ou menos dez minutos sua mãe bate na porta e diz: - Filha!!!
Lara reponde: - Sim mãe pode entrar estou acordada,bem eu acho.
Sua mãe entra Lara percebe que ela esta chorando muito e pergunta: - O que aconteceu?
Sua mãe diz: - Não sei como te dizer isso filha, era o seu cunhado no telefone ele disse que a Julia morreu essa noite enquanto dormia. Então Lara se levantou, abraçou sua mãe e ambas choraram...

Fulvio Ribeiro

7 comentários:

Mari Amorim disse...

Fulvio,
Adorei,seu post...
Já conhecia teu blog,e teus escritos
agora,para não perde-lo,vou segui-lo,
beijos
Mari

Mirza disse...

Genial!

Deus continue te abençoando com essa desenvoltura.

Parabéns.
Estou te seguindo.Hehehehe.
A PAZ.

Fulvio Ribeiro disse...

Hoooo...Mirza que bom que gostou
Obrigado pelas Palavras...
Muita Paz e Bem para Ti.

Fulvio.

Fatima Cristina disse...

Olá Fulvio,
Muito bom! Gostei de vir aqui também!
Obrigada pela visita e pelo comentário sobre o post do dia das mães.
Volte sempre que puder.
Eu farei o mesmo.
Abraços!

Aline disse...

Poxa!!! há muito tempo não descubro um blog tão bom! rsrs
Está de parabéns!
gostei das msgs e tbm das imagens, como vc pode ver gosto muito de colocar imagens em minhas mensagens! e as suas estão ótimas!!!
Que Deus continue te inspirando!
")

Fulvio Ribeiro disse...

Obrigado Aline...!!!
Fico feliz com suas palavras,legal que gostou, passe sempre que quiser será um prazer.
valeu.

BLOG DA DESIRRÊ POESIAS disse...

Olá Fulvio!!!
passeando pelos blogs deparei-me com teu blog
e achei muito fofo, se vc me permitir adorarei não só segui-lo, mas passear nesta tranquilidade e , e textos maviosos para meu deleite.
beijinhos de luz
Rhaggi

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